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O primeiro boletim deste ano produzido pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) traz os números relacionados à demanda externa, à rentabilidade das exportações e preços, além da analisar o desempenho dos setores importadores e exportadores do País, apontando possíveis tendências para 2010.
Segundo dados apresentados no boletim, a taxa de câmbio real em relação ao dólar, deflacionada pelo IPA, acumula valorização de 20,6% até dezembro de 2009. Em relação à cesta de 13 moedas, a valorização do real é de 20,2%. O relatório mostra, ainda, que a taxa de câmbio real deflacionada pelo IPC sofreu desvalorização de 1% em relação ao dólar e 0,6% no que diz respeito à cesta de 13 moedas. Desde dezembro do ano passado houve valorização de 27,8% ante o dólar e de 25,5% em relação à cesta de moedas.
Já o índice de rentabilidade das exportações (que é a composição da taxa de câmbio, preços das exportações – em dólares – e custos de produção) acumulou perda de 19,6% no ano de 2009, queda explicada principalmente pela redução das cotações do dólar. Segundo o economista-chefe da Funcex, Fernando Ribeiro, em 2009 a rentabilidade foi prejudicada tanto pela valorização da taxa de câmbio quanto pela redução dos preços de exportação.
Para o especialista, é provável que haja gradual recuperação da rentabilidade, apesar das dificuldades no cenário externo que ainda dificultam o crescimento das exportações, especialmente de produtos manufaturados. “Neste início de ano, ao contrário, a rentabilidade está melhorando, pois os preços estão em recuperação e o câmbio está se desvalorizando, sem contar a baixa inflação do IPA, que ajuda a conter os custos de produção”, afirma Ribeiro.
Com o crescimento do PIB na faixa de 4% a 5%, e na ausência de aumentos significativos dos preços dos produtos importados, o valor das importações no ano deve crescer a uma taxa pouco superior a 20%, alcançando o montante em torno de US$ 158 bilhões. Já as exportações devem ter desempenho mais fraco, por conta do baixo crescimento da economia mundial e da ausência de ganhos de preços significativos. “Espera-se um forte crescimento das importações, por conta do crescimento doméstico, o que reduzirá bastante o saldo comercial. Segundo nossas projeções, o saldo deve ficar em torno de US$ 8 bilhões”, diz Ribeiro.
O boletim indica, ainda, que o quantum das exportações vinha em trajetória de queda desde o final de 2008, quando se considera a média móvel de 12 meses, mas houve estabilização a partir de novembro. No índice referente ao total das exportações, a redução desde setembro de 2008 alcança 12,8%, sendo mais expressiva nos produtos manufaturados, que acumulam perda de 24,9%, enquanto os semimanufaturados registram variação negativa de 7,8%. Os produtos básicos são os únicos que ainda conseguem ter taxas positivas de quantum, com alta de 1,5%. A tendência mais recente, porém, aponta para suave queda nos básicos, aumento nos semimanufaturados e estabilidade nos manufaturados. (AC)
Fonte: Aduaneiras
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