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O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Salim Taufic Schahin, apresentou um balanço do comércio entre o Brasil e as 22 nações da Liga dos Estados Árabes, no ano de 2009, e sem arriscar projeções para 2010, em função dos reflexos da crise, disse apenas que a tendência é de crescimento nas vendas de produtos agrícolas, principalmente pela conjuntura de alguns países que abrem espaço para produtos nacionais, como é o caso do açúcar, que pelo preço elevado e queda de produção na Índia possibilitou oportunidades no mundo árabe para a produção brasileira.
As vendas para o mercado árabe fecharam 2009 em US$ 9,4 bilhões, valor 4,36% inferior ao registrado em 2008. Além da crise, o presidente da CCAB destaca o câmbio valorizado como fator de redução da competitividade dos produtos nacionais. Entretanto, a entidade avalia que, mesmo com a queda, o desempenho deve ser considerado positivo tendo em vista que a retração das exportações brasileiras, no geral, foi de 22%.
O executivo ressalta que o País é bastante competitivo nas exportações do agronegócio e que as vendas de carne bovina e de frango, soja e recentemente leite e produtos lácteos têm sido incrementadas. “Árabes têm necessidades agrícolas bastante variada”, ressaltou Schahin ao estimar que neste ano deve haver um superávit comercial para o Brasil nas transações com os países árabes. “Passamos décadas com déficit por causa das importações de petróleo e isso também mudou nos últimos anos”, afirmou o executivo em entrevista coletiva.
Outra mudança no comportamento das compras árabes é que países como Líbano, Síria e Egito passaram a importar gado em pé. “É um tipo de exportação que não ocorria até então”, destaca o presidente da Câmara Árabe.
Também as frutas têm chamado a atenção dos árabes. Segundo a CCAB, as exportações de frutas enfrentam certa barreira por questões logísticas. Além disso, apenas a produção chilena era bem vista por lá, o que vem mudando com a participação de empresas brasileiras em feiras com a exposição de produtos de qualidade.
A preocupação da área executiva da Câmara Árabe concentra-se agora na venda de produtos manufaturados. “O Brasil não tem sido muito feliz na exportação de manufaturados”, afirmou Schahin ao considerar que a partir de 2011 talvez haja crescimento do setor de aviação para jatos, já que o mundo árabe é um mercado a ser explorado nesse campo. O executivo disse que neste ano haverá um esforço com as autoridades para que se incentive a cadeia de manufaturados a buscar compradores nos países árabes.
Em 2008, a participação do Brasil no setor de maquinários e aparelhos mecânicos foi de apenas 0,40%, em um mercado que comprou US$ 77,95 bilhões desse tipo de mercadoria. Já as vendas de eletroeletrônicos para os árabes foram de 0,23%, num universo de importações de US$ 47,93 bilhões.
O presidente da CCAB destacou, ainda, o trabalho do Comitê de Investimentos em fase de elaboração e que tem por objetivo atrair investimentos árabes para o Brasil. “Sentimos que o Brasil, em função de ter passado rápido pela crise, tem atraído interesse de potenciais investidores árabes”, afirmou Schahin ao ressaltar que o País deve se manter em crescimento sustentável pelos próximos 4 ou 5 anos, o que certamente atrairá novos investimentos. “É um trabalho importante, mas de formiguinha, pois nunca os resultados são imediatos [nesse campo]”, resumiu. (AC)
Fonte: Aduaneiras
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