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8Data do Artigo: 26/06/2009 8Envie este artigo para um amigo
<Transportes
Hidrovia – o descaso brasileiro
Samir Keedi
É estranho que num país com aproximadamente 42.000 quilômetros de rios, a utilização da hidrovia seja tão irrisória e marginal. E vide que o fluvial é o transporte mais barato que temos. Assim, é incompreensível seu quase abandono e falta de utilização intensiva.

Pelo que se sabe, apenas 16.000 são hidrovias e somente 8.000 são utilizadas. Isso é no mínimo um non sense, considerando a existência de rios que cortam todo o País, em que poderíamos ter uma extraordinária rede de navegação interior.

Apenas o sistema Tietê, Paraná e Paraguai apresenta uma vasta rede de aproximadamente 7.000 quilômetros de rios, quase equivalente à nossa costa marítima. E vide que situada na melhor região econômica do País e da América do Sul. Hoje, o Tietê, juntamente com os rios Paraná e Paraguai formam a hidrovia do Mercosul, em que vários países do Cone Sul de nosso continente são favorecidos. Praticamente todo ele é navegável com as eclusas do Tietê, restando apenas Itaipu, em que há um desnível de 120 metros, sem eclusa, e que obriga a transferência temporária da carga, por 37 quilômetros, para a rodovia.

O sistema amazônico também é uma via fluvial de pouca utilização, o que é pena. Apenas “algum transporte” tem sido realizado pelas nossas hidrovias, carentes de uma consideração maior do governo, que poderia fazer muito mais pela logística brasileira.

Como a ferrovia, a hidrovia também pode ser um canal de desenvolvimento de um país que necessita muito recuperar o tempo perdido de quase três décadas de desenvolvimento bem abaixo da média mundial, e de sua própria média histórica do século 20. Transportar parte de nossas mercadorias por essa via é permitir que elas cheguem às prateleiras de nossos varejistas a preços menores, idealizando o círculo menor preço, mais consumo, mais produção, mais emprego etc.

Como muitos especialistas acreditam, e ousamos nos incluir nesse meio como aprendizes de feiticeiro, a logística é um dos nossos calcanhares de aquiles. Isso torna ainda mais incompreensível a falta de um olhar mais generoso a esse modo de transporte, com todos os privilégios com que fomos agraciados pela mãe natureza. Nossa distribuição física de mercadorias precisa do transporte fluvial.

É só vermos o que ocorre no exterior, em que os rios europeus são de vital importância para portos como Roterdã e Antuérpia. Sem contarmos a França, onde o modo fluvial é de muita importância, em que nos arredores de Paris temos um porto fluvial com as dimensões do porto de Santos, de aproximadamente 12 quilômetros.

Nos EUA são a causa de terem um custo logístico da soja mais baixo que nós, invertendo uma situação desfavorável em relação à sua produção quando comparado ao Brasil. Nós produzimos mais barato, mas a colocamos no navio mais caro. E a explicação é singela. Enquanto 70% da nossa é levada aos portos pelas rodovias, a do Tio Sam segue para o porto pelas hidrovias, em que os rios Mississipi, Missouri e Ohio têm papéis fundamentais na sua economia.

E essa situação pode ser comprovada aqui mesmo entre nós, em uma tabela de custos divulgada pelo jornal Folha de São Paulo em 1997, e que voltou a ser publicada ao final de 2005. Em que o transporte da soja de São Simão, em Goiás, para o porto de Santos, via rodoviária, custa US$ 35 a tonelada.

E quando levada via fluvial até Pederneiras no interior de São Paulo, sendo posteriormente colocada na ferrovia para ser transportada até o porto de Santos, tem um custo de frete de US$ 12.

Assim, é necessário “começarmos a descobrir”, obviamente o que todo mundo já sabe, que um processo logístico mal desenvolvido, ou mal utilizado, pode ser mortal para a competitividade, em especial para um país como o Brasil, em que o desenvolvimento é mister.

Também porque, se analisarmos o mapa-múndi, veremos que, sem nenhuma culpa nossa, é geográfico, nós nos escondemos. Com exceção de alguns poucos países, e num continente pobre como o nosso, todos os nossos grandes compradores e fornecedores estão muito distantes. E, pior, estão perto dos mais desenvolvidos ou em desenvolvimento efetivo, como é o caso dos continentes europeu e asiático, e o subcontinente norte-americano.
Samir Keedi
- Formação: Economia
- Pós-graduação: Administração de Empresas
- Especialização: Transportes internacionais

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4 Hidrovia – o descaso brasileiro
4 Crise e perspectivas
4 ACC, pagamento antecipado e financiamento à produção
4 Real retoma valorização artificial e ameaça comércio exterior do Brasil
4 Importação de software
4 Matriz de transporte – benefícios do uso da ferrovia
4 Câmbio: a modernidade desperdiçada ou o medo da liberdade
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