IMPORTADOS AVANÇAM SOBRE A INDÚSTRIA DE IMPLEMENTOS As importações do mercado de máquinas e implementos agrícolas avançaram 95,7% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. R$ 195,4 milhões foram enviados ao exterior, enquanto as exportações caíram 10,2% e ficaram em R$ 259,5 milhões. Mesmo assim, a indústria pôde comemorar alta de 28,5% do faturamento trimestral: R$ 2,3 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). "Não vamos manter esse ritmo até o fim do ano", afirmou o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, Celso Casale, em entrevista ao DCI. O representante espera crescimento anual de 10% a 15% do faturamento do mercado até o fim de 2012, como disse na 19ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), em Ribeirão Preto (SP). No ano passado, as máquinas e implementos movimentaram R$ 10 bilhões. "A agropecuária brasileira vai bem - obrigado! - e a demanda por máquinas e implementos agrícolas vai crescer", observou Casale, "mas nós temos um problema chamado câmbio", lamentou. Na avaliação do representante, as vendas de produtos nacionais são prejudicadas no mercado interno pela força que o real vem mantendo ante o dólar e pela falta de competitividade industrial consequente da alta carga tributária do Brasil. Em consequência, as importações brasileiras de máquinas e implementos para a agricultura saltaram de R$ 244,1 para R$ 397 milhões (62,7%), em 2010, e depois pularam para R$ 583,3 milhões (46,9%) no ano passado. "Os próprios fabricantes são os maiores importadores de máquinas", afirmou Casale, que se diz preocupado, junto à CSMIA/Abimaq, com "a desindustrialização do País". Importações A distribuidora Tracbraz é um exemplo de empresa que pesa na balança comercial, pois lida direta e exclusivamente com o principal parceiro comercial atual do Brasil: a China. Presente na Agrishow com a bandeira da SDLG, uma fabricante chinesa de máquinas agrícolas - quadradas e amarelas, na contramão de todas as concorrentes, que investem em design -, a revendedora brasileira oferta tratores destinados ao pequeno produtor. Lá está a carregadeira LG-959, 100% chinesa - simples, quadrada, amarela. Voltada para o carregamento do bagaço de cana-de-açúcar, teve o motor desenvolvido de modo a evitar incêndios, já que os restos secos da cana, de fina espessura, podem invadir as entranhas de um trator e fazê-lo pegar fogo. A ideia de "blindar" o motor contra esse tipo de acidente foi proposta pela Tracbraz à SDLG, em adaptação ao mercado brasileiro. As empresas têm parceria há três anos. Até ontem, a distribuidora tinha vendido apenas uma unidade do lançamento anti-incêndio. Em outro pavilhão do evento, a empresa familiar Mac Lub, que fabrica equipamentos de lubrificação e abastecimento em Araraquara (SP), comercializa dois produtos importados, que respondem por cerca de 15% das suas vendas, segundo o empresário Adalberto Munhoz. Trata-se de um pulverizador da Coreia do Sul e um abastecedor de óleo diesel da Espanha. Munhoz disse que, se comprassem o material necessário para fabricar esses dois produtos no Brasil, não conseguiriam concorrer com outras empresas no preço final. "Não tenho maquinário para fabricar aqui, é um equipamento que custa caro no Brasil. Trago os produtos de fora para competir com quem os fabrica aqui: empresas consolidadas, grandes", explicou Munhoz. "Importo para agregar valor à minha marca e ao faturamento." A Mac Lub atua há 43 anos no mercado de implementos com uma variedade de produtos, dos quais apenas dois são produtos importados.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria
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