PROTECIONISMO: ERRO EVITÁVEL A cada medida e cenário que se traçam, o mercado reage imediatamente e o temor pelo aumento das importações assombra setores da economia. Porém, na visão do presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece), Ivan Ramalho, é preciso ficar claro que o perfil das importações indica a complementação da produção brasileira. "Há uma ótica equivocada. Se fossem majoritariamente importações de bens de consumo aí estaria o problema", disse ao lembrar que do total importado pelo País apenas 18% são bens de consumo. Ramalho considera um engano que alguns setores façam gestão junto ao governo na busca de protecionismo. "A economia brasileira já é uma das mais fechadas do mundo, em que as importações representam apenas 12% do PIB." Para o especialista, é importante ressaltar que a importação não é causa, mas consequência. Ele explica que se a indústria produz um bem - final ou insumo -, mas não é competitiva, então o produto importado será mais atraente e, como consequência, o consumidor vai buscá-lo no mercado externo. Também considera que a maior parte da indústria não está preocupada com as importações. "Quem quer ser competitivo precisa de máquinas e insumos. Não ter produção de bem 100% nacional não é problema, porque também o Brasil exporta insumos e matérias-primas utilizados por outros países." Apesar disso, reconhece que há setores que enfrentam concorrência acirrada em virtude da escala de produção chinesa e que, nesses casos, são necessárias medidas pontuais. De acordo com Ramalho, quanto mais livre, facilitado e desburocratizado for o comércio exterior, melhor. "Naturalmente, o governo tem a preocupação de coibir importações desleais e tem meios para isso sem prejudicar o fluxo normal das operações", ponderou. Com relação à aprovação da alíquota unificada de ICMS, que põe fim à chamada Guerra dos Portos, o presidente da Abece descarta a possibilidade de ocorrer um surto das importações para aproveitar o incentivo antes da vigência da nova regra, em janeiro de 2013. "Não acredito que haverá corrida para formação de estoques. O provável é que haja modificação da operação em relação ao porto", disse ao considerar que importações feitas hoje em portos incentivados devem migrar para a região Sudeste. (Redação: Andréa Campos)
Fonte: Aduaneiras
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